Concurso
vai escolher melhor receita com arroz preto - Jornal Tribuna do Norte
Aiandra Alves Mariano
Um concurso realizado por uma parceria entre o
restaurante brasiliense Ready Beef, o Instituto Agronômico (IAC) e o
Pólo Regional do Vale do Paraíba, ambos da Secretaria de Agricultura e
Abastecimento do Estado de São Paulo, vai escolher o melhor prato
feito a partir do arroz preto desenvolvido em Pindamonhangaba.
O “Concurso Goumert: Crie e Assine Seu Prato” reuniu
representantes de 16 restaurantes do país para a apresentação de pratos
preparados com o arroz exótico.
Além de apresentar o arroz aos consumidores e
gourmets de Brasília, o concurso oferecerá aos amantes da gastronomia,
inovações quanto ao preparo e apresentação dos pratos. De acordo com a
organização do evento, durante a competição, que vai até 18 de setembro,
os chefes inscritos serão julgados segundo sua criatividade,
originalidade, sabor e apresentação dos pratos.
O concurso foi lançado no final de julho na Boutique
de Carnes Ready Beef, com a presença do engenheiro agrônomo Cândido
Ricardo Bastos, que chefiou a equipe da pesquisa do arroz no Pólo Regional
de Pindamonhangaba. Também participou do lançamento o rizicultor José
Francisco Ruzene, principal produtor do cereal.
Desenvolvido pelo Instituto Agronômico de Campinas
(IAC), o arroz preto é um tipo exótico de arroz com alto teor nutricional.
Essa variedade é bem difundida na Europa e nos Estados Unidos, mas só
agora foi produzida no Brasil, graças a pesquisas iniciadas em 1994, em
Pinda.
Negócio lucrativo
A variedade é produzida da mesma forma que o arroz tradicional e com
igual custo de produção. A principal diferença está no preço : o arroz
preto abre para o agricultor a possibilidade de produzir um arroz
diferenciado e com alto valor agregado.
Quanto às características agronômicas, o grão é um
material altamente resistente à brusone, principal doença do arroz. Tem
porte baixo e é precoce, toma de 100 a 110 dias do plantio à colheita. A
produtividade é aceitável para o nicho de mercado, mas é menor quando
comparada com o arroz tradicional. Entretanto, a diferença de preços entre
o arroz preto e o tradicional supera, em muito, a diferença de
produtividade, o que resulta em maiores lucros para o produtor.
Para o consumidor, o arroz preto, que deve ser
consumido na forma integral, é um alimento de excelentes qualidades
nutricionais. Comparado com o arroz integral, a novidade supera a
quantidade de proteínas, fibras e carboidratos, além de ter menor valor
calórico e menos gordura.
Cereal faz sucesso em restaurantes sofisticados
O arroz preto desenvolvido em Pindamonhangaba
está fazendo muito sucesso entre chefes dos mais famosos restaurantes
de São Paulo e de outras grandes cidades como Rio de Janeiro e
Brasília.
No Vale do Paraíba, o arroz especial já pode ser
encontrado no cardápio de quatro restaurantes de Pinda e outros em Campos
do Jordão. Além disso, o arroz preto também já está à venda em
supermercado de São José dos Campos.
Durante a 23º Fispal (Feira Internacional de Produtos
e Serviços para Alimentação Fora do Lar), realizada em julho, em São
Paulo, o arroz foi utilizado em degustações de grandes empresas de
alimentação, que o utilizaram principalmente na elaboração de risotos.
Para os chefes de cozinha, além de ser bem mais
barato que o arroz importado, que chega a custar R$ 50 o quilo, contra R$
20 do arroz preto nacional, a novidade estimula novos usos, variando de
risotos, saladas, receitas da cozinha regional ou acompanhamento de carnes
exóticas.
Agricultor de Pinda apostou na novidade
O produtor José Francisco Ruzene, viu, há
dois anos, a chance de melhorar seus rendimentos com o cultivo do
arroz preto.
Ele foi o primeiro produtor a acreditar na novidade,
pesquisada e desenvolvida pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e
pelo Pólo Regional do Vale do Paraíba da Secretaria de Agricultura do
Estado, e apresentada ao mercado no ano passado. Arrendatário da Fazenda
Mombaça, Ruzene lida com arroz há mais de 25 anos, mas vinha tendo
prejuízo com o grão branco.
Há dois anos, Ruzene plantou um 1,5 hectare numa área
nas várzeas do rio Paraíba, em Pinda, e, no ano passado, usou a semente
para ampliar a área plantada que atingiu 30 hectares, com produção média
de três toneladas por hectare.
O custo de produção, segundo ele, é maior que o do
arroz branco, mas o preço compensa.
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