Arroz preto
começa a ganhar mercado no Estado de São Paulo - Elton
Fernandes/Bom Dia Sorocaba (SP) - 11/08/2006
O cultivo de arroz
preto no Estado de São Paulo terá em dezembro a sua segunda colheita, estimada
em cerca de 200 toneladas.
Por enquanto, o alimento é plantado apenas em Pindamonhangaba e pelo rizicultor
José Francisco Ruzene, 41 anos, que há 25 anos tem plantação de arroz
convencional.
De acordo com ele, a primeira safra, colhida em março, rendeu aproximadamente 60
toneladas.
Em setembro, ele inicia o plantio da segunda safra, que agora vai ocupar 100
hectares de área total.
Segundo o produtor, a motivação para aumentar o plantio veio da boa repercussão
que o arroz preto teve.
“Superou as expectativas, mas está sendo difícil, pois é um produto que o
pessoal não conhece”, disse.
Entre os compradores estão restaurantes finos e chefes de cozinha,
principalmente das regiões de Campos do Jordão e Grande São Paulo.
O principal atrativo para o produtor é a lucratividade, já que o quilo do arroz
preto custa entre R$ 18 e R$ 20 no varejo, enquanto o arroz convencional (tipo
1), custa em média R$ 0,80, uma diferença considerável.
Variedade é mais protéica
A coloração do arroz preto, segundo o produtor José Franciso Ruzene, deve-se à
película que reveste o grão.
Pelas propriedades, o produto assemelha-se ao arroz integral tradicional.
“As pesquisas mostraram que o arroz preto tem 30% mais fibras e 20% mais
proteínas que o arroz integral”, afirmou Ruzene.
O arroz que ele plantou é da variedade IAC 600, desenvolvida por pesquisadores
do IAC (Instituto Agronômico) e foi lançada no início deste ano.
A média de produtividade por hectare é de duas toneladas, enquanto a lavoura de
arroz convencional produz em média oito toneladas por hectare.
De acordo com Ruzene, o custo na manutenção da lavoura de arroz preto chega a
ser 70% maior.
A implantação também requer uma máquina colheitadeira específica para armazenar
o arroz preto.
EUA cultivam sementes
O arroz preto já é exportado para os Estados Unidos, apesar de recente no Estado
de São Paulo.
Segundo informou o IAC (Instituto Agronômico de Campinas), que desenvolveu a
variedade IAC 600, as sementes já são cultivadas em cinco hectares no Texas.
O cultivo da variedade em solo americano faz parte de um acordo de cooperação
técnica assinado pelo IAC com a Texas Rice Improvement Association, associação
norte-americana que produz sementes de arroz e mantém parceria com a
Universidade do Texas.
O IAC (Instituto Agronômico) distribui sementes de arroz preto para os
produtores interessados em cultivar o produto.
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