Variedade de arroz preto será plantada e comercializada nos EUA - IAC - 24/11/2005

Uma variedade de arroz desenvolvida pelo Instituto Agronômico (IAC) chega aos Estados Unidos – o arroz preto IAC 600, lançado pelo IAC este ano, será produzido e comercializado nos EUA — inclusive com o mesmo nome adotado no Brasil. Essa conquista está sendo possível em razão de um acordo de cooperação técnica assinado, este mês, com a Texas Rice Improvement Association (TRIA), uma associação norte-americana produtora de semente de arroz.

Com o objetivo de incrementar as atividades de pesquisa e incentivar o projeto de melhoramento genético de arroz especial, foi assinado um acordo entre a TRIA e o IAC, por meio da Fundag – Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola. A associação, que tem apoio técnico da Universidade do Texas (EUA), irá repassar 50 centavos de dólar por cada saco de arroz IAC 600 vendido.

O primeiro plantio da variedade desenvolvida pelo IAC já foi feito em solos texanos, onde a variedade apresenta produtividade e adaptação semelhantes às ocorridas no Brasil. “A região do Texas tem variáveis climáticas similares às existentes em Pindamonhangaba” (região produtora de arroz em São Paulo), afirma o pesquisador responsável pela pesquisa, Cândido Ricardo Bastos. Por enquanto foram plantados cerca de cinco hectares para produção de sementes. Segundo o pesquisador do IAC, em 2001 foi assinado um acordo entre os EUA e o IAC para troca de informações científicas e que permitiu o envio de amostras da IAC 600. Agora, esse novo acordo levará o arroz preto para ser cultivado naquele País que, assim como o Brasil, até o desenvolvimento dessa variedade consumia arroz preto importado.

“A qualidade do material despertou o interesse pela produção e comercialização da variedade nos EUA. Um produto brasileiro será plantado e comercializado nos EUA com o nome IAC”, diz Bastos. Primeira lavoura comercial de arroz preto é plantada em Pindamonhangaba No Brasil, a primeira lavoura comercial da IAC 600 está sendo plantada em Pindamonhangaga, com destino a restaurante da estância turística. “O arroz preto vem se destacando no espaço gourmet em Campos de Jordão e sendo bastante elogiado em pratos variados, especialmente com trutas”, diz o pesquisador Cândido Ricardo Bastos. De fato! O arroz preto está no roteiro gastronômico da Cozinha de Natal na Montanha (www.camposdejordao.com.br/noticias).

Para o roteiro de natal da cidade brasileira mais européia o prato do Brigitte Bar e Restaurante é truta grelhada ao mascarpone com arroz preto, batatas coradas e legumes. E se o cardápio é de dar água na boca dos consumidores, a novidade também abre o apetite de quem produz. O rizicultor José Francisco Ruzene, que está cultivando o arroz preto em Pindamonhangaba, está acreditando na novidade. “Quem come gosta!, garante o produtor de arroz tradicional há 25 anos. Com o preço do arroz comum em baixa, Ruzene decidiu investir no diferente.

“Sempre fui curioso por coisas novas e este arroz está parecendo um negócio rentável.” Os números ele tem na ponta da língua: o arroz branco tipo 1 custa em torno de R$ 1,50 o quilo, já o preto salta para R$ 50,00 — dados levantados por ele em importadoras de São Paulo. Se por um lado os valores atraem, por outro traz um certo receio em manter o mercado. Por enquanto, o resultado é positivo: “A saída no restaurante está sendo grande”, diz. Aprovado no prato, a variedade IAC 600 passou também na avaliação do produtor.

Segundo Ruzene, é uma variedade precoce e não apresenta doenças. “Ela é altamente resistente à brusone, a doença que mais preocupa a gente”, avalia. Segundo Cândido Bastos — que também oferece orientação técnica ao produtor — o comportamento dessa primeira lavoura comercial está superando as expectativas dos experimentos. A área inicial de 2 hectares irá produzir cerca de 6 mil quilos. “Uma parte será destinada à produção de sementes e o restante será beneficiado para o comércio”, diz Bastos. O sabor e o aroma acastanhados do arroz preto estão viajando e atraindo interessados: “Até na Tailândia já há interessados em degustar o arroz para ver se é semelhante ao que eles têm lá!, diz o produtor, que fará a colheita em 20 dias. IAC desenvolve primeira variedade de arroz preto para cultivo em São Paulo Das lendárias festas de imperadores chineses para os campos do estado de São Paulo – trata-se do arroz preto tipo exótico.

O Instituto Agronômico (IAC) desenvolveu a IAC 600, primeira variedade de arroz preto para o cultivo em São Paulo. Essa novidade abre mais uma opção para o rizicultor nesse estado que é o maior consumidor de arroz do Brasil. Até então não existia nenhuma variedade brasileira desse tipo exótico de arroz – o que se consome no País é material importado. O objetivo é abrir novos mercados para os produtores atingirem um nicho específico, com potencial no consumo interno e externo, já que o arroz preto tem amplo mercado na Europa e Estados Unidos. Apesar de ainda incipiente no Brasil, na avaliação de Cândido Ricardo Bastos, um dos pesquisadores responsáveis, é grande o potencial de mercado em qualquer região brasileira.

Desenvolvida para o cultivo em São Paulo em condição de arroz irrigado e sequeiro, a IAC 600 é produzida da mesma forma que o arroz tradicional e com igual custo de produção. A principal diferença está no preço — a IAC 600 abre para o agricultor a possibilidade de produzir um produto diferenciado e com alto valor agregado. Quanto às características agronômicas, a IAC 600 é um material altamente resistente à brusone, principal doença do arroz, tem porte baixo e é precoce, toma de 100 a 110 dias do plantio à colheita. A produtividade é aceitável para o nicho de mercado, mas é menor quando comparada com o arroz tradicional. Entretanto, a diferença de preços entre o arroz preto e o tradicional supera, em muito, a diferença de produtividade, o que deverá resultar em maiores lucros para o produtor.

Para o consumidor, o arroz preto — que deve ser consumido na forma integral — é um alimento de excelentes qualidades nutricionais. Comparado com o arroz integral, a novidade supera a quantidade de proteínas, de fibras e de carboidrato, além de ter menor valor calórico e menos gordura. Outro destaque dessa variedade é que a IAC 600 tem dez vezes mais compostos fenólicos que o melhor material já analisado em testes na Universidade do Texas. Esses compostos fenólicos são benéficos à saúde humana por serem antioxidantes. “Com essas características ele pode ser considerado alimento funcional, para isso está em testes”, afirma Bastos. Além de fazer bem ao organismo, a IAC 600 é também agradável ao paladar, com aroma e sabor acastanhados, em grãos inteiros e muito macios.

Segundo técnicos do Texas (EUA), é o melhor sabor já provado. Desenvolvida pelo IAC, órgão da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, a pesquisa com a IAC 600 teve início em 1994 e atualmente o trabalho encontra-se em fase de multiplicação de sementes. Diz a lenda que o arroz preto era usado, no passado, como produto afrodisíaco em festas de imperadores chineses. Verdade ou não, o fato é que a variedade IAC 600 deverá animar os rizicultores diante da opção de cultivar esse produto com tamanho valor agregado.

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